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8.7.13

A bela e a fera.


A festa estava alegre e movimentada, mas uma dor de cabeça começava a me incomodar. Saí da sala, acenando um adeus para um e outro conhecido, e fui procurar por ele. Eu queria ir para casa. Nossa casa.
Enquanto caminhava pelo corredor que dava na cozinha, escutando a voz dele enquanto me aproximava, fui pensando em como essa mudança era gostosa e como eu não me cansava de dizer, pensar ou gritar: nossa casa. Finalmente.
- Ela é ótima, não me leve a mal, mas...

18.3.13

De promessas quebradas.


- Oi.
Virei a cabeça devagar. Não seria fácil encará-lo, mas entendi que dar o primeiro passo e falar comigo também não fora nada fácil para ele. Resolvi dar-lhe aquela chance. Se nenhuma outra, pelo menos aquela.
- Oi - murmurei. Ainda tinha certa dificuldade de olhá-lo nos olhos. Não por medo do que poderia ver ali, mas por receio de que ele visse demais nos meus. Ele se sentou diante de mim.

25.12.12

De princesas e seus castelos.



Para mim, aquele era o pior Natal que já havia existido. Respirando fundo, tentei levantar-me da cadeira, mas minhas pernas falharam bruscamente outra vez.
- Calma.
Escutei sua voz, mas não me virei para encará-lo. Escutá-lo era suficiente. Mas então ele segurou minha mão e afastou minha franja do rosto com suavidade. E eu me senti desabar. Apenas ouvi-lo estava longe de ser o bastante. E aquele precisar infinito me amedrontava.

6.8.12

De todos os sentidos.



- O que é isso que você está segurando com tanto cuidado?
Olhei para trás e sorri ao ver Ashley com os braços cruzados e uma sobrancelha erguida, demostrando toda sua curiosidade. Não era comum nos encontrarmos durante as gravações agora que eu - Fitz, melhor dizendo - não era mais um professor na escola de Rosewood. Meu núcleo se resumia à Lucy e, às vezes, Holly.
- Um pedido que acabou de ser entregue.
- Para você?
- Que menina curiosa, Benson - gargalhei. Ela balançou um ombro, divertida, mas continuou com os braços cruzados e com aquela postura de mãe que adorava encarnar.

6.7.12

Do amor que se sabe morto.



- Você vai cantar hoje e não se fala mais nisso!
- Não estou no clima - protestei, mas fracamente.
- Quem canta seus males espanta, não é?
- Nem sempre.
- Escuta todo esse povo que vai lá na frente...
- Estou escutando.
- Escuta de verdade! Olha só pra banda. Os caras ficam até desanimados com tanta desafinação junta.
- Terei que ser a responsável por salvá-los?

14.5.12

Entre ela e eu.


Eu voava. Assustada, olhei sobre meus ombros e percebi que de minhas costas nasciam dois pares de asas. Asas azuis. Mas elas não tinham um tom normal; talvez fossem de alguma cor entre o azul e o branco, mas com um pouco de prata também. Brilhavam. Elas brilhavam muito.

26.4.12

Trevor.


Seu nome era Trevor. Nem o uniforme, nem as botas sujas de uma terra que não era dele, nem a arma que provavelmente já havia matado muitos dos meus... Nada me impediu de sorrir e de me aproximar.
Ele era um homem bonito, pensei. Não bonito como meu pai ou o menino da casa ao lado. Trevor possuía uma beleza que não vinha apenas dos traços de seu rosto. Sua beleza era algo interior que, de tão grande e poderoso, acabava se mostrando também em seus olhos.

18.4.12

Disfarces.


Primeiro, foram as nossas datas especiais. Mas ele nunca foi muito de se lembrar delas, então eu sequer desconfiei. Mas depois foi o que ele havia comido no almoço ou o horário daquele programa de tevê favorito. E, ainda mais tarde, vieram os nomes dos netos, dos filhos e do nosso cachorro de estimação.

31.1.12

Bárbara.


Bárbara foi minha amiga por tantos anos que já não sei precisá-los sem perder a conta. Conhecemo-nos na faculdade, durante uma aula empolgante de Morfossintaxe que apenas Bárbara conseguia definir como tal. Empolgante mesmo era seu sorriso cheio de cores e sua voz trêmula da pressa de comunicar a resposta correta. Bárbara sempre tinha as respostas corretas para tudo.

27.1.12

BFF.


Lucy Hale e Ashley Benson.


- Não mude de assunto - eu disse para Lucy. - O que aconteceu entre vocês dois?
- Uh?
Antes que eu pudesse dar um tapa nela por se fingir tanto de desentendida, um fotógrafo veio até nós com dois gorros e perguntou se poderia tirar algumas fotos de Lucy e eu. Concordamos e fomos andando devagar para a pista de gelo. Do outro lado, Blair e Alexandra faziam caretas para a câmera de outro fotógrafo. Lucy e eu escutamos as instruções do nosso fotógrafo e, depois, entre uma foto e outra, tentei reavivar a conversa anterior.
- Vocês brigaram?

26.1.12

Linha do horizonte.


Corri e me sentei ao lado dela. Olhei para baixo e me deixei hipnotizar pelo movimento das águas. Sua mão imediatamente brincou com as minhas orelhas e me fez aquele carinho entre os olhos que é meu favorito. "Lembra de quando eu te achei, Shot? Bem aqui, nessa praia?" Eu lembrava. Eu estava perdida naquela época, sem ninguém que olhasse duas vezes por mim. Mas ela meio que estava também. Foi natural me apoiar em alguém tão parecido comigo.

17.1.12

Os vilões somos nós mesmos.



- O que aconteceu? - perguntei à minha irmã assim que ela desligou o celular.
- Acabei de falar com o fornecedor, eles só vão estar aqui lá pelas sete e eu vou ter que esperar. Não poderei chegar ao hospital a tempo da operação... - Júlia passou a mão pelos cabelos, nervosa. - Eu tinha prometido. A irmã dela está no trabalho. Ela vai ficar sozinha... - ouvi seu suspiro de desânimo e uma ideia começou a surgir na minha cabeça. - Vou ligar para o Rick, quem sabe ele...
- Eu vou.

7.1.12

Dias assim.


Quando acordei, percebi que aquele seria um dia realmente confuso. De manhã cedinho, através de minha janela fechada, era possível escutar o barulho da chuva e dos trovões. Estremeci, de frio e algo mais. Aquele dia era domingo e não havia nada de importante que precisasse ser feito; eu poderia ficar na cama o dia todo, e não haveria ninguém para me criticar.

19.12.11

Aila.



Coloquei o último enfeite e ajeitei a última lâmpada. Com um suspiro de alívio, me afastei alguns passos e comecei a observar minha árvore com olhos críticos. Por ser a primeira vez em trinta e quatro anos de vida que eu tinha a responsabilidade de montar a árvore de Natal, o nível mais alto a que minha esperança se atrevia a chegar era de que a árvore ficasse ao menos de pé depois que eu terminasse.

2.12.11

Que seja.


E eu olhava para você. Não conseguia nem disfarçar. Tanto tempo havia se passado que agora meus olhos estavam famintos de você, do dourado sempre estranho dos seus olhos, dos seus dedos tortos que eu brincava de endireitar só para implicar com você...

18.11.11

Sobre cores e notas musicais.



Cantando, eu me sinto diferente. Diferente de tudo que eu normalmente sou e mais parecida com o que eu realmente quero ser. Diferente da garota e mais parecida com a mulher. Diferente desse alguém que sofre em silêncio e muito mais parecida com um alguém que não aceita não como resposta, alguém que jamais teria permitido que ele saísse por aquela porta.

2.11.11

Um ele pra chamar de meu.



Meu namorado tem um sorriso torto que acelera meu coração sempre que vejo. E ele adora sorrir nos momentos mais críticos, normalmente quando eu já estou derretida por ele. E isso não é raro; estar derretida por ele é meu estado normal.
Odeio quando ele larga a toalha molhada em cima da cama, mas deixo a pia da cozinha cheia de louça suja. Detesto o heavy metal que ele ama, e ele odeia minhas bandas pop. Ele apenas sorri diante da pia e me chantageia pra que a gente limpe a bagunça em uma noite tediosa de sábado qualquer.

18.9.11

Escolhas de solidão.



Meu celular começou a tocar quando eu já estava deitada, quase dormindo. Pensei em deixar pra lá, mas poderia ser alguém querendo me avisar de alguma mudança repentina nos planos do dia seguinte.
Enquanto me erguia da cama e me arrastava até a bolsa, que estava jogada no piso diante da porta do banheiro, percebi que estava perdida no tempo. Não sabia nem que dia da semana era e tive que me esforçar pra me lembrar em que país estava daquela vez.