14.5.12

Entre ela e eu.


Eu voava. Assustada, olhei sobre meus ombros e percebi que de minhas costas nasciam dois pares de asas. Asas azuis. Mas elas não tinham um tom normal; talvez fossem de alguma cor entre o azul e o branco, mas com um pouco de prata também. Brilhavam. Elas brilhavam muito.
Eu quase não podia pensar. Meus pés insistiam em ficar bem longe do chão. Eu não sabia se ficava histérica ou encantada. Escolhi esperar pra ver o que acontecia.
Flutuei. A sensação era maravilhosa. Sem comparação. Impressionante. Então, criei coragem e ergui o olhar, passando a observar as coisas ao meu redor. Tudo lá embaixo parecia parte de um outro mundo, agora desconhecido pra mim.
Não havia flores ou sorrisos ali em cima. Nem um pouco de companhia também. Aí, estranha e rapidamente como tinha surgido, todo o meu prazer se esvaiu. Eu quis descer. Quis voltar pra casa.
Ensaiei alguns movimentos e minhas asas responderam perfeitamente. Elas já eram parte de mim, como as mãos ou os pés. Olhei para baixo e comecei a descida.
Naquele instante, porém, um vento começou a soprar. Era muito mais do que uma leve brisa; tão mais, que eu logo pensei que havia ido parar no centro de um tornado.
Só fiz subir e subir. As asas já não obedeciam aos meus desejos, estavam ao sabor da ventania. Vi a aproximação das nuvens. Atravessei-as. Subi mais. Muito mais. E foi aí que entendi: sempre há beleza, não importa se você está com os pés bem firmes no solo ou se voa alto demais às vezes. Eu soube naquele momento que ali em cima estavam todos os risos e lágrimas do mundo.
De súbito, um raio mais forte de sol alcançou meus olhos. Fechei-os rapidamente. Quando voltei a abri-los, nada era o mesmo. Exceto um estranho tom de azul, meio branco, meio prata, que me olhava de dentro de dois olhos sorridentes e compreensivos...
Era ela o tempo todo, me fazendo descobrir que eu possuía minhas próprias asas e soprando pra mim sua confiança. Sorri, dizendo a ela sem palavras que havia valido a pena cada passo. E, no sorriso que ela me devolveu, percebi que ela sabia. Sabia desde sempre.


P.S.: Feliz aniversário <3

4 comentários:

  1. É tão... Sempre que você fala dela eu lembro do passado, de tudo. Cada momento seu com ela. Nada é o mesmo para mim mais, eu não enxergo mais da mesma forma. Mas eu continuo achando bonito ainda assim, acho que mais pelas suas palavras que tudo.

    ResponderExcluir
  2. Cê sabe, pra mim tudo mudou também. Mas ela, ele e "eles"... Sei lá, no fundo ainda permanece alguma coisa xD

    ResponderExcluir
  3. SOCORRO QUE COISA LINDA <3
    A mesma coisa pra mim não é também, mas ler esse texto provocou o mesmo sentimento de sempre.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom <3
      Essa revivida é bacana às vezes.

      Excluir