30.11.13

Nuances.


- Meu Deus, isso é tão infantil - Júlia girou os olhos e suspirou. Marina riu e puxou a amiga para que ela se sentasse no chão ao lado dela.
- É só uma brincadeira.
- Por isso mesmo - Júlia insistiu. - Para quê perder tempo com isso? É tão estúpido.
- Acho que esse é o ponto - Marina deu de ombros e voltou a beber um gole de vinho. - Esquecer que as provas estão chegando, deixar os problemas de lado... Ser estúpido por algumas horas.
Júlia bufou e esperou que as outras pessoas se sentassem. Uma garrafa de vinho já estava no centro da roda e ela desconfiava seriamente que Marina era quem a havia esvaziado.
- Por algumas horas, certo?
- Certo. Depois a gente volta ao que era antes. Nenhum efeito colateral.
Júlia riu e prendeu os cabelos loiros em um rabo de cavalo frouxo. Marina estava tão diferente do que ela normalmente era. Na verdade, as duas pareciam ter trocado de papéis nas últimas horas.
- Ei, meninas!
- Nick - Marina soltou um gritinho e quase pulou no colo do amigo quando ele se sentou do outro lado dela. - Não sabia que você também viria.
- Me convenceram - ele movimento o queixo na direção de Samuel e deu de ombros.
- Mesma coisa aqui - Júlia bagunçou o cabelo de Marina e riu quando a amiga lançou-lhe um olhar mortal.
- Ok, pessoal! - Samuel bateu palmas e todo mundo olhou para ele. - Verdade ou consequência? Vamos lá!
Samuel girou a garrafa e Marina começou a rir descontroladamente quando ela parou em um ângulo estranho e quase impossível.
- Nicolas para Júlia.
- Verdade ou consequência? - Nick perguntou.
- Consequência - ela respondeu. - Não vou responder nada que você pergunte.
Todo mundo arregalou os olhos. As pessoas normalmente pediam "verdade" primeiro. Mas Júlia não era aquela pessoa de colocar primeiro o pé na água. Ela mergulhava. E ia fundo.
- Ok, Júlia. - Nick esfregou as mãos juntas e pensou que aquele poderia ser um momento tão bom quanto qualquer outro. - Um beijo.
- Em quem? Qualquer um, menos o Sam. Ele acabou de comer um hambúrguer com cebola - Júlia fez uma careta e fingiu estremecer. Samuel mostrou o dedo do meio para ela e Marina gargalhou.
- Em mim.
A risada de Marina morreu no mesmo instante e todo mundo ficou na expectativa da reação de Júlia. Mas ela não demorou nem dois segundos para ficar de pé e puxar Nick pela camiseta. As mãos dele foram imediatamente para a cintura dela e o beijo ficou bem longe de ser uma simples brincadeira. Parecia mesmo o começo de toda uma vida.
Samuel encarou Marina, mas ela estava com a testa franzida observando seus dois amigos esquecerem do resto do mundo. Ela engoliu a seco. Júlia tinha razão, afinal. Aquela brincadeira era infinitamente estúpida. Então, ela desviou os olhos daquela cena e sorriu. Sorriu tão triste como nunca pensou ser possível.


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