14.2.13

Acontecimentos.


Abrindo a porta, ela viu um arranjo de suas flores preferidas. Nem todo mundo sabia quais eram. Quase ninguém sabia. Apenas ele.
- Entrega para a moça mais bonita do prédio.
- Apenas do prédio? - ela deu um risinho e aceitou as flores, fazendo delas uma desculpa para não o encarar.
- Do quarteirão?
- Não acredito que já se esqueceu da minha beleza estonteante - ela sorriu, olhando-o então.
- Não me esqueci - ele murmurou. - Só queria fazer você sorrir. Adoro esse sorriso. É o mais bonito que já conheci.
Ela abraçou o buquê, tímida e feliz ao mesmo tempo. Ele estava ali. Finalmente estava ali. Queria dançar e rodopiar pela sala e beijá-lo e dizer tantas coisas que estavam guardadas no peito.
- Entra?
Ele entrou e ela fechou a porta. Encararam-se por muito tempo, mas os segundos pareciam não existir. Não para eles. Não naquele momento.
- Gostou? - ele apontou para as flores.
- Eu amei. São minhas favoritas.
- Eu sei.
- Não acredito que se lembrou. Faz tanto tempo...
- Faz. Mas as coisas de você são complicadas de tirar da cabeça. Você é muito difícil de esquecer, moça.
Ela sorriu com prazer, mas também com agonia. Queria pular as amenidades e abraçá-lo. E não o deixar, jamais, desaparecer.
- Você ainda tem contato com alguém da faculdade? Dificilmente os vejo.
- Comigo acontece o mesmo. É estranho, não? Éramos tão amigos, os seis, e agora mal nos falamos. O que aconteceu? - ele perguntou franzindo o cenho.
- A vida aconteceu. E ela sempre acontece.
- Sempre. Mas sabe de uma coisa? - ele se aproximou. - Nós também podemos acontecer. A vida não é essa dominatrix toda.
- É isso que você está fazendo aqui hoje? Acontecendo? - ela sussurrou ao ver que ele se aproximava. Ele segurou o rosto feminino e sorriu.
- Basicamente.
- Basicamente?
- Preciso que você aconteça comigo.
- Ok.


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